Igreja

 



 


Às vezes sinto-me assim, como uma ruína que viveu há muito tempo, que sentiu cheiros e vozes, que tem saudades de ser. De ter pertencido a um tempo mais emotivo, em que do ser social faziam parte as emoções, as partilhas, a alegria...


 


Por cada pedra ali colocada... quem as colocou? Que essência tinha? Quantos risos deu? Que lágrimas derramou?


 


Quantos segredos sabem estas pedras, que ventos já as fustigaram? Queimadas do Sol e do frio, velhas, saudosas como eu, reclamando as paredes e o telhado, reclamando por passos lá dentro, por cânticos, por vozes.


 


Estão agora vestidas de azul, com brilho de luz, mas tristes e sós, no meio de tanta gente que passou, pelo tempo que se foi, esperando cair, no entanto, majestosa ergue-se ainda para reinar sobre o tempo que lhe resta.


 


 


 


 


 


Alice Alfazema

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