Vagueando pelo cosmos

 


Somos todos almas que vagueiam pelo cosmos, a viver as nossas vidas ao mesmo tempo, mas com a impressão de que estamos a passar de uma encarnação para  a outra. Tudo aquilo que toca o código da nossa alma jamais é esquecido e, consequentemente afecta o resto.


Eu olho para Hilal com amor, o amor que se reflecte como um espelho do tempo, ou daquilo que imaginamos ser o tempo. Ela nunca foi minha e jamais será, porque assim está escrito. Se somos criadores e criaturas, também somos marionetes nas mãos de Deus, existe um limite que não podemos ultrapassar - porque isso foi ditado por razões que desconhecemos.


Podemos chegar muito perto, tocar a água do rio com os nossos pés, mas é proibido mergulhar e deixar-se levar pela corrente.


Agradeço à vida porque me permitiu reencontrá-la na altura em que precisava. Finalmente começo a aceitar a ideia de que será necessário atravessar aquela porta pela quinta vez - mesmo que ainda não descubra a resposta. Agradeço uma segunda vez à vida porque antes estava com medo e agora já não estou. E pela terceira vez agradeço à vida porque estou a fazer esta viagem.


Divirto-me ao ver que esta noite ela está com ciúmes. Embora seja um talento no violino, uma guerreira na arte de conseguir o que deseja, nunca deixou de ser criança e jamais deixará, tal como eu e todos aqueles que realmente desejam o melhor que a vida pode oferecer. Só uma criança é capaz disso.


 


 


in, O Aleph, Paulo Coelho



 


 


 


Alice Alfazema


 

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