Tempos de ócio

 



 


 


Os gatos,


não vagabundos mas sem um dono,


ao sol adormecidos


em ruas sem passeios,


ou esperando uma mão generosa


talvez entre ruínas,


os gatos


imortais de um modo tão humilde,


desafiam o tempo, permanecem


suportando bons e maus momentos,


nada sabendo da História


que levanta edifícios


ou os deixa abismar-se entre pedaços


belos ainda, agora nobres pedestais


dessas figuras: livres.


Olhar fixo de uns olhos muito verdes,


em solidão, em ócio e luz distante.


Olhos semicerrados, olhos quase chineses,


loira a pele e em calma iluminada.


Erguido junto a um mármore,


resto sobrevivente de coluna,


alguém feliz e pulcro


alisa-se com a pata bem lambida.


Gatos. Frente à História,


sensíveis, sérios, sozinhos, inocentes.


 


 


Jorge Guillén


 


 


 


Alice Alfazema

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