Como é que não há tempo para um filho?

 


 


 


Hoje, lembrei-me do cuidado em que a minha mãe punha, ao fazer-me o lanche, para eu levar para a escola; o guardanapo de pano, sempre limpo e passadinho a ferro, a fruta já lavada – “comeste o lanche?” – “não podes sair de casa sem comeres o pequeno almoço, a saúde é muito importante!”


 


Hoje, lembro-me dos meninos e meninas que, saem de casa sem comer, e que, ninguém lhes pergunta – “já comeste? -, em que o seu pequeno almoço é tomado duas a três horas depois de acordarem; muitas vezes resumindo-se a gomas e chocolates, outras, a merendinhas de massa folhada com sumo que, mais não é do que água colorida.


 


Pergunto-me que, exemplo de figura são estes pais? Onde estão dadas as orientações? Tempo, não há tempo…é a desculpa mais utilizada, para isto e, para outras situações…Como é que não há tempo para um filho? Como é que não há tempo para o diálogo? Como é que não há bons exemplos? Qualquer animal, por mais irracional que seja, o maior legado que deixa à sua prole são os exemplos, são “como se faz”,”quando se faz”, porque se faz”, então, o homem, o ser mais racional, não tem essa capacidade básica de vida?


 


Dou por mim a pensar que, alguns filhos são como nenucos, que ficam pousados, nas prateleiras, para serem exibidos quando tal for necessário…


 


Não dar exemplos de vida é deixar os filhos à mercê das marés que os possam apanhar; é deixá-los à deriva, sem deixar crescer a sua maturidade; é – não amá-los.


 


 


 


Alice Alfazema

Comentários

  1. Tem toda a razão Alice.
    Sou mãe de cinco filhos e sei que isso é verdade. Por vezes alguns amigos iam ter com eles à porta de casa e para não ficarem na rua sempre os convidei para subir.
    Nunca mais me esqueço de um rapazinho e uma menina, ambos com pais divorciados,(não é a causa, pode ser uma consequência...) que me diziam, adoro o cheiro de sua casa, de manhã cheira a leite e café com leite, pão cereais, é tão bom e depois a comida, tem sempre coisas a fazer e a sua casa cheira sempre tão bem. Isso ficou-me na memória e não têm conta as vezes que essas crianças comeram, à nossa mesa o pequeno almoço, que pura e simplesmente não tinham comido.
    Issoentre outras coisas, crianças que ninguém se peocupa em dar vacinas, em dar a higiene diária, o duchezinho e a muda da roupa limpa e passada a ferro.
    São coisas que marcam para sempre.
    Os meus primeiros três filhos nasceram ainda não havia fraldas descartáveis e estiveram todos no colégio Portugal na Parede, na altura tinha um trabalho de muita respomnsabilidade e eles ficavam até quase ás 19 h. A responsável pelos mais pequenos, a D. Fina, em todas as reuniões de pais, me gabava por levar as fraldas de pano, já dobradas no formato que eu as punha, e por levar tudo o necessário para todos eles... mas isso custa muito. A maioria das pessoas pensa em si próprio e pouco mais. Muitas vezes os filhos são um escolho, se me faço entender, e nem atenção devida têm. Vão crescendo. Por isso há tantos problemas. Não quer dizer que não haja problemas nas casas onde se dá tudo, há por vezes outro tipo de problemas, mas o acompanhamento , a alimentação e estar-se lá, dar carinho, banhinho e ajudar nos trabalhos, é muito importante.

    Gosto de a ler, continue, voltarei para a ler.

    Gena Resende

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  2. Este é um problema, de pobres, de ricos, de divorciados, de casados, de letrados e iletrados é - a indiferença, um cancro, que alastra e que se está a tornar normal, onde, o valor das emoções são cada vez mais trocadas por um punhado de dinheiro.

    Obrigada, será sempre benvinda.

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