A importância do outro

 



 


 


Depois da morte do cão comecei a passar cada vez mais tempo fechado no meu quarto, entretido com os livros. O mundo que me era dado conhecer através deles parecia-me muito mais real do que aquele que me rodeava. Perante os meus olhos desfilavam paisagens que jamais imaginara ver. Os livros e  a música passaram a ser os meus melhores amigos. Na escola tinha dois ou três bons amigos, mas nunca encontrara alguém a quem pudesse abrir o coração. Conversar e jogar futebol era tudo o que fazíamos quando estávamos juntos. Se surgia algum problema, não tinha com quem desabafar. Ficava no meu canto, entregue aos meus pensamentos, tirava as minhas conclusões e ia à luta sozinho, mas não posso dizer que me sentisse só. Pensava que isso era normal. Enfim, pensava que os seres humanos deviam trilhar o seu caminho sozinhos.


No entanto, quando cheguei à universidade, encontrei esta amiga, aquela de quem já te falei, e comecei a ver as coisas de outra maneira. Percebi que, à força de pensar nas coisas por minha conta durante tanto tempo, acabara por ficar limitado à minha perspectiva, e comecei a dar-me conta de que estar sempre sozinho pode tornar-se uma coisa terrivelmente depressiva.


 


 


in, Sputnik, meu amor, Haruki Murakami


 


 


É importante fazer amigos.


 


Alice Alfazema

Comentários

  1. “Vida eterna”

    Pr’á vida não ter fronteiras
    Deves procurar a tua sorte
    Pois mesmo que não queiras
    Tens a fronteira da morte

    Faz da vida a vida eterna
    Qu’a morte não te encontrará
    Se viveres de forma tão plena
    Sopro de vida te embalará

    Em morte embalado pl’a vida
    Nunca mais serás esquecido
    Linha de fronteira desvanecerá

    Pois com a alma assim repartida
    Mesmo depois de teres morrido
    Sempre alguém te lembrará.

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