A olhar o tempo


 


 


Também chego sempre a horas aos encontros, mas abro as cartas uns meses depois de as receber e respondo, se me lembrar, passados uns anos. Quando o telefone toca, nem  o ouço. Se digo a alguém «telefono-te amanhã», é certo e sabido que telefonarei passado um mês, não por maldade, desleixo ou arrogância, mas porque também vivo numa espécie de presente eterno. No meu tempo interior, um mês, uma semana, um dia, valem o mesmo.


 


in, Cada palavra é uma semente, Susana Tamaro


 


 


Alice Alfazema

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