Sob um tapete de papoilas

 


 


Regresso às memórias de infância, a momentos que estão perdidos no tempo e, vejo a velha árvore, heróica e corajosa; e penso; e revejo; o quanto ela me inspirou em momentos que tanto precisei.


 


Ao fundo da quinta, sob um tapete de papoilas, cresce e abraça o céu, a sua sombra é fresca e a sua folhagem magnífica e, ela deixa-me repousar naquela sombra fresca e abraçá-la; fazer nela um baloiço de fantasias, de risos e de gargalhadas.


 


O tempo correu e eu corri também, procurei-o e não o encontrei, ele, encontrou-me primeiro.


 


E vejo de novo, a velha árvore que, deixou o tapete de papoilas e se recolheu; agora, já não ouve os risos, mas, permanece firme e dá-me alento; quero abraçá-la, outra vez, no entanto, falo com ela de longe e, já não a abraço; o tempo nos distanciou, mas, a mensagem, essa, ficou, gravada em mim.


 


Olho e vejo-te, mutilada e triste; sozinha; com metade das tuas raízes procurando a terra, essa que te tiraram, cavando um buraco, imenso, que te desposou do teu chão, da tua casa; mas, tu continuas a abraçar o céu, e a provar que a persistência é um dom que se pode cultivar; e ensinas-me que, por mais que te cortem o caminho, há sempre outros caminhos por percorrer.


 


Não  te deixaste vencer e, lutas-te, até poderes; até te derrubarem e aí construírem um prédio; o qual não consigo ver, pois, olho-te através do tempo e vejo-te: bonita e a abraçar o céu - esse céu que é teu e meu.  


 


Queria poder-te abraçar de novo e, de novo descansar na tua sombra, mas, não posso.


 


Hei-de visitar-te na minha memória...


 


Alice Alfazema


 


 

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