
O menino que transportava o fogo levou algum tempo a pensar nas palavras do homem branco, mas, finalmente, parou no meio do caminho, engoliu em seco, olhou-o directa e altivamente nos olhos dele e disse-lhe:
- Esse fogo não é meu.
- É a mesma coisa, Toti. É o mesmo fogo. É igual ao outro. Poderás iluminar-te da mesma forma e poderás aquecer-te na época das chuvas - respondeu o cientista.
- Não, homem branco - disse Toti, secamente. - Não é o mesmo fogo. A chama que eu tinha nas minhas mãos foi acesa pelo meu avô e ele passou-a para o meu pai e o meu pai para mim. Eu já não a poderei passar aos meus filhos.
Dito isto, o menino que transportava o fogo olhou sem pestenejar para o cientista e, depois de ver a sua cara espantada, ali, no meio da selva Amazónia, continuou a caminhar lentamente.
Tudo ficou em silêncio.
O vento parou para que a selva recolhesse o eco das palvras de Toti: "Já não o poderei dar aos meus filhos".
in, O menino que transportava o fogo, Miguel Angel Rodríguez Bajón
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