Há uns meses atrás, antes do Natal, as noticias, sobre a fome das crianças, eram manchete de jornais, revistas e televisões. Hoje parece que tudo isso já passou, deixou de existir… O espírito natalício desapareceu, mas a fome continua, essa que ninguém dá por isso, pois os assuntos que vendem são outros!
A fome que hoje se vive, não é só uma fome de alimentos, mas, sim, e também, uma fome de afectos e de atenções, de preenchimentos de alma e carinhos. O que leva um filho a esfaquear um pai, uma mãe? As razões ignoradas, num tempo de solidão. Fala-se da solidão dos velhos, e a solidão das crianças? Daquelas que não o conseguem expressar, das que disso se envergonham, e, das outras, que nem dão por isso.
A escola é a família que os acolhe, mas que não consegue, preencher esse vazio, que flutua em seu redor; a solidão dos afectos, que cria razões desconhecidas e não procuradas, que não convêm - desenterrar. Os pais dão o que podem e o que conseguem com o dinheiro, mas o que lhes falta, ninguém, o consegue comprar. Quanto custa um abraço? Um beijo? Um carinho? Um tempo de partilha? Momentos de emoção, sementes de futuro, lembranças de passado? Investe-se naquilo que não vale e perde-se aquilo que se quer.
A lembrança dos dias é: um retorno agradável, maravilhoso, daquilo que se viveu e dos valores que nos são transmitidos. Onde, tudo o que foi dito é aprendido, é algo a guardar.
Pergunto-me, onde irão buscar - estas crianças de que falo, lembranças que lhes tragam valores e sementes (para que possam), plantar um jardim - onde não haja solidão.
Tem toda a razão. O que nos acontece, enquanto crianças, marca-nos para toda a vida. Onde se nasce, com quem se vive,é primordial. A sociedade, essa, mantém-se à margem .
ResponderEliminarTenha um bom dia!
Maria
À margem e silenciosa.
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