As amoras
O meu país sabe às amoras bravas no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é
azul.
Eugénio de Andrade
Podemos encontrar mais mimos como este no livro O outro nome da terra (1988), de Eugénio de Andrade.
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