
Dorme meu filho
depressa,
dorme
que a noite já vem,
o teu pai está tão
cansado
de tanta dor que ele tem.
Dor no lombo e no
espinhaço,
no peito e no coração,
dor de estar feito em
bagaço,
dor de tanta exploração.
Dorme meu filho
depressa,
dorme
que a noite já vem, o teu
pai está tão cansado,
tão cansada tua mãe.
Tão cansada de esfregar
as escadas que tem a
vida,
tão cansada de chorar,
tão cansada, tão sofrida.
Dorme meu filho
depressa,
dorme
que a noite já vem,
do teu pai só herdarás
a revolta que ele tem.
Crescerás na lama e nu
sem ter brinquedos nem bola,
verás outros como tu,
bem vestidos ir à escola.
Dorme meu filho
depressa,
dorme
que a noite já vem,
o teu pai é operário,
serás operário também.
Talvez aprendas a ler
se o dinheiro nos chegar,
mas tu só vais aprender
quando tiveres que lutar.
Dorme meu filho
depressa,
dorme
que a noite já vem,
Dorme meu filho
os teus pais muito lutaram
e tu lutarás também
Não viverás mais vergado,
não terás mais que sofrer,
não serás mais explorado,
vais lutar e vais vencer!
José Fanha
Lutar, a gente luta, vencer parece-me mais difícil
ResponderEliminarO voluntarismo não chega . Falta qualquer coisa.
Cumprimentos
Falta vontade.
ResponderEliminarCumprimentos