Assédio laboral - 'O que é que vamos comer?'. 'Merda'
Há uns dias a jornalista espanhola Marta Gómez Montero, no programa Malas Lenguas Noche, virou-se para o colega e disse-lhe "Não voltas a humilhar-me, sinto-me absolutamente humilhada. Aguentei muito tempo, aguentei para pagar as faturas, aguentei pelos meus filhos", enquanto programa seguia em direto, a jornalista citou Gabriel García Marquez. "Ela, a mulher, pergunta-lhe no final 'O que é que vamos comer?'. 'Merda', diz o protagonista. Pois eu, Cintora, prefiro comer merda", disse, antes de se levantar e abandonar o programa.
E eu questiono-me, quantos de nós, aguentamos situações laborais que nos levam ao desespero e à perda de saúde mental, apenas, porque precisamos de pagar as faturas, a educação dos filhos, e ainda, porque não temos estofo para encarar o outro e chamar os bois pelos nomes.
Mais, podemos não ter a capacidade de sermos maus carateres, pois isso não faz parte da nossa essência, e também porque queremos nos manter fieis a nós próprios.
Lidar com assédio laboral é como andar num limbo, escorregar na lama, ou estar a afundar num pântano.
Na maior parte das vezes, os colegas e os chefes ignoram a vitima, pensando, erradamente, que a mesma é fraca, já o assediador é considerado o mais inteligente - pois este tipo de pessoas são bem falantes, inteligentes e manipuladores.
Há colegas que ignoram, depois há os que dizem (agora muito em voga) que a responsabilidade é tua por permitires, em suma a maldade é sobrevalorizada em relação ao bem, como se agressividade psicológica fosse um estandarte de proatividade, enquanto a vitima é uma coisa, posta ali de lado, à espera que alguém lhe faça uso.
Lembrar, ainda, que o boato, também faz parte da linguagem dum assediador, pessoas que nunca pedem desculpa, que quando proferem frases deixam sempre no ar insinuações que parecem não ter malicia para os demais, no entanto, são estrategicamente proferidas com o fim de atingir, imaginemos assim, quando alguém fala e pelo meio surgem parênteses, tais como chamadas de atenção, ou referentes a avisos.
Isolar a pessoa, não a deixar ter opinião, desvalorizar o seu saber, controlar as suas ações, e inventar boatos sobre a mesma, e fazer isto de forma reiterada é assédio!
Sair disto é muitas das vezes um suplicio, porque a pessoa já usou quase todo o seu esforço mental para poder assimilar as situações com que se depara diariamente e de forma reiterada, chegando ao pondo de duvidar mais da sua saúde mental do que da do outro.
Importa pois, reconhecer que assédio não é uma ação isolada, nem feita por uma só pessoa, assédio é o consentimento conhecido por colegas ou chefes que nada fazem para travar estas situações, não bastam discursos motivadores, nem objetivos concretos do que é uma equipa, é preciso é que alguém que esteja fora do contexto tenha coragem de utilizar a sua voz e denunciar aquilo que presencia. Empatia precisa-se. Urgentemente.
Tive a sorte de sempre exercer profissão liberal, ainda agora.
ResponderEliminarE tenho o gosto de a reencontrar os blogs. Olá Alice! Parece que já lá vão anos depois de 30 de Junho!
Olá João-Afonso, é verdade parece que passaram anos, publiquei aqui, mas também, estou a publicar no blogue que tenho no BLIX https://alicealfazema.blix.pt/, assemelha-se bastante com o SAPO, exportei o blogue do sapo e parece-me mais fácil de vermos o que os outros publicam do que aqui, é uma coisa estranha as saudades que tenho dos blogues do sapo.
EliminarQuanto ao assédio laboral é preciso ter sorte, pois as armadilhas por vezes são tão subtis que nem damos por elas.
Já passei por uma situação destas com uma colega e com uma chefia. Foi pior com a chefia pois numa situação dessas não estamos no mesmo patamar de poder. Não é uma luta igual.. os reflexos na saúde mental e física cá estão... Em mim e em alguns colegas pois foi coletivo embora cada um vivesse a situação isoladamente devido a uma miríade de jogos mentais com o intuito de "dividir para reinar". Eu neste momento estou como essa jornalista espanhola e prefiro comer merda a passar por isso novamente.
ResponderEliminarSem dúvida, nada paga a nossa saúde mental, a qual posteriormente se vai refletir no corpo físico, e essa de dividir para reinar é uma forma de castrar a equipa e um modo que criar um clima de terror, o grande problema é que na maioria das vezes é muito difícil de comprovar que existe assédio.
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