
Tu que acreditas
que a bruma vai rasgar-se em dia aberto
Tu que acreditas
que o vento vai quebrar-se em mar de calma:
porque ficas sentado à janela da quimera,
porque não vens para a rua
provocar a Primavera?
Vem,
vem desenhar o futuro na morte deste presente;
Vem,
vem mostrar a madrugada e vem dá-la a toda a gente!
Tu que adivinhas
que as nuvens vão desfazer-se em azul.
Tu que adivinhas
que a noite resolver-se em luar:
porque te deixas dormir na cama da tradição,
porque não fazes do sonho
o grito duma canção?
Vem,
vem transformar o amor até hoje inexistente;
Vem,
vem construir a cidade e vem dá-la a toda a gente!
Vieira da silva
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